SLS: espuma que não é limpeza
- Carolina Cronemberger
- 15 de mai. de 2015
- 1 min de leitura
SLS é a sigla para Sodium Laryl Sulphate, alcool derivado do petróleo, que vem a ser um dos detergentes / sulfactantes mais usados na industria cosmética. Serve pra remover óleos e resíduos tanto da pele quando de outros materiais inorgânicos. Ou seja, tira a gordura da pele, e com leva leva a sujeira. Parece bom, né?
Mas há controvérsias. Se você for pesquisar na página dos fabricantes dos produtos que usam este ingrediente, e na Wikipedia, vai achá-lo como um maravilhoso e seguro detergente, usado largamente até mesmo em produtos de bebê. Te garanto que uma rápida olhada na sua casa e você encontrará muitos produtos que contém este ingrediente. Mas... outras fontes* (desde 1967) sugerem uma toxidade não tão inocente assim'. Podem causar ecsema e irritações na pele, e foram observados nódulos linfáticos inchados com uso de pequenas quantidades. Além disso aumenta a sensibilidade da pele à outros produtos ainda mais tóxicos [British journal of Dermatology, 2000]. E isso ajuda a levar pra dentro do corpo moléculas que são comprovadamente cancerígenas encontradas nas fórmulas dos produtos tradicionais.... Me impressiona é que um ingrediente tão largamente usado não apareça sendo citado na literatura acadêmica muito mais frequentemente tanto para mostrar segurança quanto o contrário (essa é outra longa história que merece um post só pra ela... que quem sabe um dia eu escreva). Há poucos artigos científicos e a maioria (na verdade todos os que achei) falam sobre toxidade. Pra começar tirar totalmente a camada de óleo da nossa pele NÃO é bom! A gente precisa dela pra se proteger de muita coisa. Ficar sem ela, expõe a pele a todo tipo de alergia e hiper sensilização. Derivado de petróleo também não é bom, né? (Já conversamos sobre isso num post aqui) Mas como se fazia pra se limpar antes de se manipular este tipo de molécula, então? Ah... impressionantemente, a natureza já tinha pensado nessa questão e deu muitas, muitas soluções pra ela. A oliva, por exemplo, e portanto o óleo derivado dela (azeite) contém uma grande quantidade de saponaceos, substancia química que saponifica, ie, leva a gordura e a sujeira embora. Outros óleos também podem fazer o mesmo, e ainda nutrir e proteger a pele ao mesmo tempo. Há mais de 2 mil anos se conhece essa propriedade dos óleos. E até hoje ela é usada. Na Grécia os sabonetes artesanais são feitos apenas com derivados da OLIVA! Vegetal, e comprovadamente não nocivo à pele, porque, gente, a oliva foi feita pra gente comer! A natureza pensou nisso. A natureza pensa em tudo mesmo, essa danada! É possível fazer um detergente sem SLS, existem marcas naturais que realmente o fazem. Mas infelizmente é preciso estar sempre atento porque tem muito sabonete artesanal (e natural) que pode conter essa substância. Só lendo rótulo e conhecendo os ingredientes mesmo pra saber. Pra quem quer menos óleo, o vinagre é um poderoso detergente e deixa a pele muito macia (também já comentamosaqui). Ah, Bicarbonato de sódio também limpa (mas pra ele vou fazer um post especial)! Ou seja, na dúvida, dava muito bem pra industria usar ingredientes menos "duvidosos". Não é fácil ainda encontrar por aí sabonetes e shampoos sem SLS. Infelizmente. Mas existem sim. Mas a conscientização é sempre a melhor maneira de fazermos pressão neste sentido. Deixo literatura pra quem quiser dar uma olhada, e um beijo cheiroso pra vocês! * MAIS PARALER E CONSULTAR SOBRE ESSE ASSUNTO: http://www.thesoaphaven.com/soap-guide/sls-myths-facts/ British Journal of Dermatology, Volume 143, Issue 3, pages 551–556 (2000) http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0300483X9390148L http://europepmc.org/abstract/med/1681644 http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1600-0536.1988.tb02741.x/abstract http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0015626467832759